quarta-feira, 21 de julho de 2010

Castração

A castração é um assunto que está em alta nos dias de hoje. Veículos de mídia e médicos-veterinários, quase sem exceção, recomendam essa cirurgia sem reservas, listando uma infinidade de vantagens. Por trás dessa campanha em massa há uma justificativa real: a superpopulação de cães e gatos sem donos. Não devemos fechar os olhos para essa realidade. Milhares de cães e gatos abandonados, famintos e doentes perambulam pelas ruas, frutos de acasalamentos indiscriminados. A grande maioria desses animais não consegue ser adotada e acaba à própria sorte, ou é eutanasiada (“sacrificada”).

Entretanto, partindo do princípio de que você será um dono consciente, que jamais abandonará seu cão e que não promoverá acasalamentos irresponsáveis, a decisão de castrar ou não o seu cão depende também de outros fatores. É preciso entender que a castração, apesar de muito rotineira, é um procedimento cirúrgico definitivo, que implica na retirada de órgãos – os testículos do macho; o útero e os ovários da fêmea. Como tudo na vida, a castração tem dois lado: o positivo e o negativo. Por isso, em vez de recomendar o genérico “castre, logo!”, preferimos que você mesmo pese os prós e os contras e decida se a castração é a melhor opção para o caso individual do seu cão.

Prós da castração de cadelas

  • Se feita em qualquer idade, a castração evita terminantemente a ocorrência da piometra, infecção uterina que acomete uma grande porcentagem de cadelas. A piometra costuma acontecer depois de alguns cios e, se não for diagnosticada a tempo, pode levar a fêmea à morte.
  • Se feita após o 1º cio a castração evita em mais de 90% o aparecimento de tumores mamários (extremamente comuns em cadelas). Entretanto, se realizada até os 2.5 anos de idade ainda traz grandes benefícios em relação a redução de incidência desses tumores.
  • Se feita em qualquer idade, a castração evita terminantemente o aparecimento de tumores uterinos e ovarianos (pouco comuns em cadelas).
  • Evita acasalamentos indesejáveis em qualquer dos casos abaixo:
    a-) Você tem macho e fêmea em casa
    b-) Você possui cães sem pedigree
    c-) Seus cães apresentam parentesco entre si;
    d-) Seus cães apresentam desvios do padrão da raça ou doença de herança genética;
    f-) Você não quer ou não tem condições de cuidar de uma cadela gestante e dos filhotes até que todos sejam vendidos ou doados.
    g-) Sua cadela teve eclâmpsia na última gestação (ela provavelmente a terá na próxima vez)
  • Evita a presença de cães machos no seu portão, uma vez que não mais haverá o odor de fêmea no cio.
  • Evita terminantemente que a cadela atleta (praticante de agility, flyball, etc) ou que acompanha frequentemente o dono em viagens, deixe de desempenhar essas atividades em função de estar no cio.
  • Evita terminantemente o incômodo do cio das fêmeas. Se você se incomoda com o sangramento e as alterações de comportamento de fêmeas no cio a castração é uma excelente opção para esse caso. Fêmeas de Golden frequentemente apresentam bastante sangamento e cios longos, algumas vezes com mais de um mês de duração.
  • Elimina a queda de pêlos ocasionada pelo cio e reduz a troca de pelagem sazonal.
  • Reduz o risco de fístulas (feridas) perianais (próximos do ânus).
  • Evita a pseudociese (gravidez psicológica), condição ligada aos hormônios sexuais.

Contras da castração de cadelas

  • Aumenta a predisposição à obesidade. Se optar pela castração, assegure-se de oferecer bastante atividade física e alimentação com teor calórico moderado para evitar a obesidade e suas complicações.
  • Algumas cadelas se tornam um pouco irritadiças com outros cães.
  • Algumas cadelas se tornam menos ativas.
  • Em algumas raças, a castração altera a textura da pelagem, favorecendo o re-aparecimento do lanugo (pêlo de filhote).
  • Se realizada antes do 1º cio, a castração pode predispor a episódios repetidos de cistite (inflamação da bexiga / infecção urinária) e vaginite.
  • Se realizada antes do 1º cio, a castração pode alterar a aparência da cadela quando adulta, podendo torná-la um pouco mais alta e estreita, com menor massa muscular.
  • A castração pode deixar algumas cadelas com incontinência urinária. Esse quadro é ainda mais comum nas fêmeas castradas muito precocemente.
  • Uma cirurgia de castração realizada com pressa ou por um cirurgião inexperiente pode resultar em danos renais.
  • Uma cirurgia de castração realizada com anestésico de segurança questionável (em geral, em cirurgias muito baratas) pode lesionar o fígado.
  • Se realizada antes de um ano de idade, aumenta o risco de osteossarcoma (câncer ósseo).
  • Aumenta os riscos de hipotireoidismo (uma disfunção da glândula tireóide).
  • É pouco eficiente como medida para tornar uma cadela hiperativa mais calma.
  • É pouco eficiente como medida para tornar uma cadela agressiva mais mansa.

Prós da castração de machos

  • Elimina completamente o pequeno risco de câncer testicular.
  • Reduz o risco de doenças prostáticas não-cancerígenas.
  • Reduz o risco de aparecerem fístulas (feridas) perianais (na região próxima ao ânus).
  • Pode reduzir o risco de diabetes.
  • Se feita precocemente, pode evitar que se torne agressivo com outros machos.
  • Se feita precocemente, pode evitar que apresente comportamento sexual indesejável, como montar em pernas, montar em almofadas, etc.
  • Se feita precocemente, pode evitar a demarcação de território com urina.
  • Se feita precocemente, pode evitar fugas motivadas pelo desejo de acasalar.
  • Se feita precocemente, evita que cães de trabalho sejam distraídos por odores e outros estímulos produzidos por cadelas no cio.
  • Pode reduzir o volume de queda das trocas de pelo sazonais.
  • Evita acasalamentos indesejáveis em qualquer dos casos abaixo:
    a-) Você tem macho e fêmea em casa
    b-) Você possui cães sem pedigree
    c-) Seus cães apresentam parentesco entre si;
    d-) Seus cães apresentam desvios do padrão da raça ou doença de herança genética;
    f-) Você não quer ou não tem condições de cuidar de uma cadela gestante e dos filhotes até que todos sejam vendidos ou doados.

Contras da castração de machos

  • Se feita antes de um ano de idade, aumenta o risco de desenvolvimento de osteossarcoma (câncer ósseo).
  • Aumenta o risco de hipotireoidismo (uma disfunção da tireóide)
  • Aumenta o risco de obesidade
  • Se realizada antes da maturidade física se completar, a castração pode alterar a aparência adulta, podendo deixar o macho com aspecto menos masculino e um pouco mais alto e estreito em comparação aos machos não-castrados da mesma raça e idade.
  • Uma cirurgia de castração realizada com anestésico de segurança questionável (em geral, em cirurgias muito baratas) pode lesionar o fígado.
  • É questionável como medida para tornar um cão hiperativo mais calmo.
  • É questionável como medida para tornar um cão agressivo mais manso.

Considerações finais importantes

Como você deve ter notado, novos dados da literatura científica estão indicando que a castração seja preferencialmente realizada após o primeiro cio da cadela (ou até os 2,5 anos de idade), e nos machos, após o completo desenvolvimento físico (por volta de 1,5 ano a 2 anos, para cães de grande porte). Essas orientações buscam minimizar os impactos negativos da falta de hormônios sexuais na saúde geral do animal, bem como na sua aparência física.

Entretanto, se você busca benefícios comportamentais, como evitar que seu cão monte em pernas, ou estranhe outros machos, ou que sua fêmea de trabalho ou de esporte não perca dias de atividade em função do cio, a castração precoce (antes da puberdade, por volta dos 6 meses), é mais indicada. Cães que são castrados pré-púberes costumam apresentar comportamento assexuado que agrada a muitos perfis de proprietários, ainda que estejam predispostos a maiores riscos de saúde.

Não banalize a cirurgia. Independentemente da idade do cão, procure um bom médico-veterinário, com experiência em cirurgia, para realizar a castração. Apesar de ser um procedimento rotineiro, a castração – em especial a de fêmeas – exige conhecimento e técnica.

Uma cirurgia de castração bem feita certamente custa mais do que uma realizada em mutirões. Mas vale a pena: o veterinário certamente pedirá exames pré-cirúrgicos (hemograma, eletrocardiograma), realizará a cirurgia com calma, atento a alterações em outros órgãos, usará um anestésico mais seguro e o orientará sobre o pós-cirúrgico. Além disso, em cirurgias conduzidas por um cirurgião e um anestesiologista, o protocolo anestésico costuma ser mais eficiente (realmente indolor, e não meramente imobilizador) e seguro.

E, finalmente, você também pode optar por manter seu cão ou cadela “inteiro(a)”, ou seja, sem submetê-lo(a) à cirurgia de castração. No caso das cadelas, muito mais do que nos machos, é importante ficar sempre atento a alterações como presença de caroços nas mamas, corrimento vaginal purulento – ou qualquer corrimento fora do período de cio - apatia, etc. Se suspeitar de alguma coisa, já sabe: leve o cão ao médico-veterinário.

Se pretende acasalar seu cão ou cadela, procure seguir as orientações abaixo:

  • Não acasale seu macho antes que ele complete 2 anos de idade. O ideal é fazê-lo depois que ele completar o desenvolvimento físico. Acasalar muito cedo pode causar fratura do osso peniano (sim, existe um osso dentro do pênis dos cães). E você só pode fazer o exame definitivo para detecção da displasia coxo-femoral a partir dos 24 meses de idade dele. Obs: essa orientação procede somente para as raças nas quais o controle da displasia coxofemoral é importante (ex: Golden Retriever, Pastor Alemão, Border Collie, Bulldog, Rottweiler, etc)
  • Não acasale sua fêmea antes do terceiro cio. O ideal é acasalar somente depois dos dois anos de idade dela, quando ela está mais madura física e psicologicamente. E você só pode fazer o exame definitivo para detecção da displasia coxo-femoral a partir dos 24 meses de idade dela. Obs: essa orientação procede somente para as raças nas quais o controle da displasia coxofemoral é importante (ex: Golden Retriever, Pastor Alemão, Border Collie, Bulldog, Rottweiler, etc)
  • Não acasale seu cão macho ou fêmea se ele, aos 2 anos de idade, for considerado displásico (principalmente grau D ou E de displasia coxo-femoral, mas também o grau C). Esse exame radiológico deve ser feito e analisado por médicos-veterinários com experiência em radiologia e ortopedia.
  • Não acasale seu cão macho ou fêmea com cães sem pedigree emitido pela Confederação Brasileira de Cinofilia. O pedigree é um documento que atesta a origem e a genealogia do cão de raça.
  • Procure o criador que lhe vendeu seu macho ou sua fêmea para que ele ou ela te oriente sobre o acasalamento, qual macho ou fêmea escolher para a cruza, como proceder, como cuidar da gestante, como cuidar dos filhotes, registrá-los e etc. Isso é muito importante para garantir que o acasalamento resulte em uma ninhada que contribua com a raça.

Referências bibliográficas

Seu Pet é Supervacinado?

“Por que os pets precisam tomar (muitas vezes 15!) vacinas anualmente, se nós humanos não precisamos tomar as nossas todos os anos?”

“Por que preciso vacinar meu gato contra a raiva anualmente, se ele nunca sai do apartamento?”

“Por que meu pet piora de suas crises - alérgicas, gastrointestinais, epilépticas, etc - horas, dias ou semanas depois que toma suas vacinas?”

“É verdade que nos Estados Unidos muitos veterinários estão aplicando vacinas a cada três anos, e não anualmente, nos cães e gatos?”

Abordar essas questões é abordar o tópico da supervacinação - vacinação excessiva - de cães e gatos. Pessoas que se interessam por Homeopatia ou Medicina Holística já devem ter ouvido falar nesse assunto. Diversos médicos-veterinários como o norte-americano Richard Pitcairn, PhD em Imunologia, dedicam capítulos à supervacinação em suas obras recentes. Nos Estados Unidos, Europa, Canadá e Oceania, a supervacinação é discutida há mais de uma década. Quer ver? Digite termos-chave como “overvaccination”, "vaccine-induced" e “vaccinosis“, acompanhados por “pets” ou "dogs" no Google e veja quantos resultados aparecem. No Brasil, infelizmente, as novidades demoram um pouquinho mais a chegar.

Mas estão chegando. Não tenha dúvida.

Para reduzir a polêmica e facilitar a assimilação racional do assunto, postaremos trechos de livros e artigos científicos recentes escritos por médicos-veterinários, profissionais da área de saúde, e pesquisadores. Você vai entender porque muitos veterinários favoráveis à Alimentação Natural, no mundo todo, afirmam que, mais importante até que oferecer uma boa dieta caseira para os pets, é reduzir a quantidade de vacinas aplicadas.

Leia abaixo um artigo científico escrito pela médica-veterinária norte-americana Jean Dodds, que há décadas pesquisa o assunto da supervacinação. E não perca os próximos textos dessa nova seção.

Reações vacinais adversas
Clique aqui para ler o artigo original, em inglês.
Autora: W. Jean Dodds, DVM
Hemopet/Hemolife
2008

(Tradução: Sylvia Angélico)

As doenças virais e vacinações recentes com vacinas monovalentes ou múltiplas com vírus vivos modificados, principalmente as que contêm o vírus da cinomose, adenovírus 1 e 2, e parvovírus têm sido cada vez mais reconhecidas como fatores que contribuem para o desenvolvimento de doenças sanguíneas imune-mediadas, insuficiência da medula óssea e disfunção de órgãos (1-11).

Vacinas com vírus mortos e com adjuvantes potentes (substâncias químicas que irritam o sistema imune para provocar uma resposta melhor) como as anti-rábicas também podem desencadear reações vacinais adversas (vacinoses) imediatas ou tardias (7-10). Predisposição genética a essas desordens em humanos tem sido associada ao antígeno leucocitário D - relacionado como sendo o locus gênico do complexo de histocompatibilidade principal, e é provável que existam associações paralelas com os animais domésticos (5, 7).

Além das reações de hipersensibilidade imediatas, outros eventos agudos tendem a ocorrer de 24 a 72 horas após, ou em 7-45 dias depois em uma resposta imunológica do tipo tardia (1-4, 6-10). Outros efeitos adversos tardios incluem: mortalidade por vacinas de sarampo de altas concentrações em crianças, anticorpos de cinomose nas doenças articulares dos cães, e o aparecimento de fibrossarcomas (tipo de câncer maligno) em felinos e caninos no local de aplicação da vacina (5, 7). A carga antigênica cada vez maior que é apresentada ao hospedeiro por vacinas com vírus vivos modificados durante o período de viremia (quando o vírus cai na circulação sanguínea) é presumidamente responsável pelo desafio imunológico que pode resultar em uma reação de hipersensibilidade tardia (2, 3, 6, 7).

Os sinais clínicos associados com reações vacinais tipicamente incluem: febre, rigidez, articulações doloridas, sensibilidade abdominal, susceptibilidade a infecções, desordens neurológicas e encefalites, hemácias auto-aglutinadas e icterícia (anemia hemolítica auto-imune - AHAI), ou petéquias generalizadas e hemorragias equimóticas (trombocitopenia imune-mediada - TIM) (1, 2, 4, 7, 8, 12, 13). As enzimas hepáticas podem ficar muito elevadas, e insuficiência hepática ou renal podem ocorrer por si só ou acompanhadas de supressão da medula óssea.

Além disso, vacinação com vírus vivos modificados tem sido associada com o desenvolvimento de convulsões transientes em cães filhotes e adultos de raças ou mestiços de raças susceptíveis a doenças imune-mediadas, especialmente aquelas que envolvem tecidos endócrinos ou hematológicos (AHIM, tireoidite auto-imune potencial, púrpura trombocitopênica idiopática, etc) (1, 7, 10). A polineuropatia pós-vacinal é uma enfermidade reconhecida, ocasionalmente associada ao uso das vacinas contra cinomose, parvovirose, raiva, e presumidamente, outras vacinas (2, 3, 7).

Isso pode resultar em vários sinais clínicos, incluindo atrofia muscular, inibição ou interrupção do controle neuronal de tecidos e da função de órgãos, excitação muscular, descoordenação e fraqueza, bem como convulsões (7). Certas raças ou famílias de cães parecem ser mais susceptíveis a reações vacinais adversas, particularmente as convulsões pós-vacinais, febres altas, e episódios dolorosos de osteodistrofia hipertrófica (ODH) (7,9). Portanto, temos a responsabilidade de orientar os criadores de animais de companhia e proprietários do risco que os irmãos de ninhada geneticamente predispostos e animais aparentados têm de apresentar reações vacinais adversas similares (1,4,6,9,14,17). Animais de raças populares (ou raras) que sejam fruto de acasalamentos consangüíneos ou dentro da mesma linhagem (linebreeding), em geral podem apresentar risco aumentado, conforme ilustrado nos exemplos abaixo.

Vacinas comerciais podem, em raras ocasiões, estar contaminadas com outros agentes virais adventícios (3, 15), que podem produzir significativos efeitos prejudiciais, conforme ocorreu quando uma vacina comercial contra a parvovirose canina estava contaminada com o vírus da língua azul. A vacina provocou aborto e morte quando aplicada a cadelas gestantes (15), o que foi associado causalmente à prática contra-indicada, mas muito freqüente, de vacinar animais prenhes. O risco de efeitos colaterais como a promoção de estados de doenças crônicas nos cães machos e em fêmeas não-gestantes recebendo esse monte de vacinas continua indeterminado, embora tenha havido relatos casuais de redução de vigor físico e disfunção renal em cães de trenó (17).

Recentemente, um fabricante de vacinas teve de reconvocar (recall) todos os seus produtos biológicos que continham um componente de cinomose, porque tais vacinas estavam associadas a uma taxa maior do que o esperado de reações pós-vacinais do sistema nervoso central de 1 a 2 semanas após a administração (17).

Foi comprovado recentemente que a vacinação de cães de estimação e de pesquisa com vacinas polivalentes contendo o vírus da raiva, ou somente com a vacina da raiva induziu a produção de auto-anticorpos anti-tireoglobulínicos, um achado importante que pode estar implicado no desenvolvimento subseqüente do hipotireoidismo (10).

Em relação à supervacinação, surgem outras questões que precisam ser consideradas, apesar da solicitação bem-intencionada dos clientes para que os reforços vacinais anuais sejam feitos de modo que os pets assim recebam um exame de check-up geral (6). A aplicação de reforços vacinais anuais quando eles não são necessários implica no cliente pagar por um serviço que provavelmente trará pouco benefício ao nível de proteção já existente no animal contra essas doenças infecciosas. Também aumenta o risco de reações adversas em função da exposição repetida a substâncias exógenas.

Vacinas polivalentes com vírus vivos modificados que se multiplicam no hospedeiro provocam um desafio antigênico mais forte para o animal e devem montar uma resposta imune mais efetiva e sustentada (2, 3, 6). Entretanto, isso pode suprimir um animal imunocomprometido ou mesmo um hospedeiro saudável continuamente exposto a outros estímulos ambientais, assim como a predisposição genética pode promover resposta adversa a um desafio viral (1, 2, 7, 14, 16, 17). O filhote de gato ou cão recentemente desmamado que parte para um novo ambiente pode particularmente sofrer mais riscos. Além disso, enquanto a freqüência de vacinações é geralmente espaçada por duas a três semanas, alguns veterinários têm defendido a vacinação semanal em situações de estresse, uma prática que faz pouco sentido cientificamente ou medicamente (6).

Uma resposta imune aumentada após a vacinação é observada em cães com alergia inalatória (atopia) pré-existente a polens. (7). Além disso os crescentes problemas atuais de alergias e doenças imunológicas têm sido associados à introdução de vacinas vivas modificadas há mais de 20 anos (3). Embora outros fatores ambientais sem dúvida contribuam, a introdução desses antígenos vacinais e sua eliminação no ambiente pelos animais vacinados podem fornecer o insulto final que excede o limiar de tolerância imunológica de alguns indivíduos da população de pets. A evidência acumulada indica que os protocolos vacinais não devem mais ser considerados um programa adequado para todos os indivíduos (9).

Para esses casos especiais, alternativas apropriadas às práticas vacinais correntes incluem: realizar testes sorológicos para detectar número de anticorpos existentes, evitar vacinas desnecessárias e supervacinação; ter cuidado ao vacinar indivíduos doentes ou febris, e elaborar um protocolo vacinal mínimo específico e sob medida para cães de raças ou linhagens que conhecidamente apresentam um risco aumentado de reações adversas (6, 7, 18, 21).

Outras considerações incluem: iniciar mais tarde a série de vacinas (de filhote), por exemplo, aos 63 ou 70 dias de vida, quando o sistema imune está mais apto a lidar com o desafio antigênico; alertar o proprietário a prestar particular atenção ao comportamento e saúde do filhote após o segundo reforço vacinal e reforços subseqüentes, e evitar re-vacinação de indivíduos que já tiveram reação adversa significativa. Irmãos de ninhada de filhotes afetados (por reações vacinais) devem ser monitorados de perto após receberem vacinas adicionais na série de filhotes, pois eles também correm mais riscos.

Referências bibliográficas

1. Dodds WJ. Immune-mediated diseases of the blood. Adv Vet Sci Comp Med 1983; 27:163-196.

2. Phillips TR, Jensen JL, Rubino MJ, Yang WC, Schultz RD. Effects on vaccines on the canine immune system. Can J Vet Res 1989; 53: 154-160.

3. Tizard I. Risks associated with use of live vaccines. J Am Vet Med Assoc 1990; 196:1851-1858.

4. Duval D, Giger U. Vaccine-associated immune-mediated hemolytic anemia in the dog. J Vet Int Med 1996;10: 290-295.

5. Cohen AD, Shoenfeld Y. Vaccine-induced autoimmunity. J Autoimmunity 1996; 9: 699-703.

6. Schultz R. Current and future canine and feline vaccination programs. Vet Med 1998; 93:233-254.

7. Dodds WJ. More bumps on the vaccine road. Adv Vet Med 1999; 41: 715-732.

8. HogenEsch H, Azcona-Olivera J, Scott-Moncrieff C, Snyder PW, Glickman LT. Vaccine-induced autoimmunity in the dog. Adv Vet Med 1999; 41:733-744.

9. Dodds WJ. Vaccination protocols for dogs predisposed to vaccine reactions. J Am An Hosp Assoc 2001; 38: 1-4.

10. Scott-Moncrieff JC, Azcona-Olivera J, Glickman NW, Glickman LT, HogenEsch H. Evaluation of antithyroglobulin antibodies after routine vaccination in pet and research dogs. J Am Vet Med Assoc

2002; 221: 515-521.

11. Paul MA (chair) et al. Report of the AAHA Canine Vaccine Task Force: 2003 canine vaccine guidelines, recommendations, and supporting literature. AAHA, April 2003, 28 pp.

12. May C, Hammill J, Bennett, D. Chinese shar pei fever syndrome: A preliminary report. Vet Rec 1992;131: 586-587.

13. Scott-Moncrieff JC, Snyder PW, Glickman LT, Davis EL, Felsburg PJ. Systemic necrotizing vasculitis in nine young beagles. J Am Vet Med Assoc 1992; 201: 1553-1558.

14. Dodds WJ. Estimating disease prevalence with health surveys and genetic screening. Adv Vet Sci Comp Med 1995; 39: 29-96.

15. Wilbur LA, Evermann JF, Levings RL, Stoll LR, Starling DE, Spillers CA, Gustafson GA, McKeirnan

AJ. Abortion and death in pregnant bitches associated with a canine vaccine contaminated with blue tongue virus. J Am Vet Med Assoc 1994; 204:1762-1765.

16. Day MJ, Penhale WJ. Immune-mediated disease in the old English sheepdog. Res Vet Sci 1992; 53:87-92.

17. Dougherty SA, Center SA. Juvenile onset polyarthritis in Akitas. J Am Vet Med Assoc 1991; 198: 849-855.

18. Twark L, Dodds WJ. Clinical use of serum parvovirus and distemper virus antibody titers for determining revaccination strategies in healthy dogs. J Am Vet Med Assoc 2000; 217:1021-1024.

19. Flemming DD, Scott JF. The informed consent doctrine: what veterinarians should tell their clients. OJ Am Vet Med Assoc 224: 1436-1439, 2004.

20. Klingborg DJ, Hustead DR, Curry-Galvin E, et al. AVMA Council on Biologic and Therapeutic Agents’ report on cat and dog vaccines. J Am Vet Med Assoc 221: 1401-1407, 2002.

21. Schultz RD, Ford RB, Olsen J, Scott F. Titer testing and vaccination: a new look at traditional practices. Vet Med, 97: 1-13, 2002 (insert).

Artigo retirado de: http://www.cachorroverde.com.br/vacinacao.php

Cachorro Verde!

Queridos, estou passando para divulgar esse blog tão lindo e dedicado à alimentação natural dos nossos pets!
Dêem uma passada lá e confiram as novidades e dicas.

http://www.cachorroverde.com.br/

Confira:
  • Alimentação Natural para cães!
  • Alimentação Natural para gatos!
  • Dieta Raw Meaty Bones (Ossos Carnudos Crus)!
  • Dieta BARF (Biologically Appropriate Raw Food)!
  • Dieta caseira crua sem ossos!
  • Dieta caseira cozida sem ossos!
  • Dieta vegetariana caseira para cães!
  • Receitas para fazer peticos em casa!

E muito mais!

  • Homeopatia
  • Acupuntura
  • Outras terapias complementares
  • Alternativas naturais para combater parasitos internos e externos
  • Novos protocolos vacinais

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Ser Veterinário...

Pensando bem, ser veterinário não é só cuidar de animais.
É, sobretudo amá-los, não ficando somente nos padrões éticos de uma ciência médica.
Ser veterinário é acreditar na imortalidade da natureza e querer preservá-la sempre mais bela.Ser veterinário não é só ouvir miados, mugidos, balidos, relinchos e latidos, mas principalmente entendê-los e amenizá-los.
É gostar de terra molhada, de mato fechado, de luas e chuvas.Ser veterinário é não importar se os animais pensam, mas sim que sofrem.
É dedicar parte do seu ser à arte de salvar vidas.

Ser veterinário é aproximar-se de instintos. É perder medos.É ganhar amigos de pêlos e penas, que jamais irão decepcioná-lo.
Ser veterinário é ter ódio de gaiolas, jaulas e correntes.É perder um tempo enorme apreciando rebanhos e vôos de gaivotas.
É permanecer descobrindo, através de animais, a si mesmo.Ser veterinário é ser o único capaz de entender rabos abanando, arranhões carinhosos e mordidas de afeto.
É sentir cheiro de pêlo molhado, cheiro de almofada com essência de gato, cheiro de baias, de curral, de esterco.
Ser veterinário é ter coragem de entrar num mundo diferente e ser igual.
É ter capacidade de compreender gratidões mudas, mas sem dúvida alguma, as únicas verdadeiras.É aliviar olhares, é lembrar de seu tempo de criança e querer levar para casa todos os cães vadios e sem dono.
Ser veterinário é conviver lado a lado com ensinamentos profundos de amor e vida...

O VETERINÁRIO

No tratamento de seres humanos, há 21 homens no mínimo, cada um especializado num diferente ramo da medicina, para cuidar de uma pessoa desde o pré-natal até o pós-morten. Mas existe apenas um homem que precisa ser obstetra, pediatra, ortodontista, endocrinologista, clinico geral, ortopedista, cirurgião, psicologista, ginecologista, neurologista, cardiologista, radiologista, geriatra, patologista, proctologista, anestesista, gastroentologista, dermatologista, oftalmologista, otorrinolaringostologista.

Ele é naturalmente, seu VETERINÁRIO!!!!!!

Alegria e muito sonho espalhados no caminho...Verdes, planta e sentimento Folhas, coração, Juventude e fé!

Acho que a imagem fala por ela mesma!

Medicina Veterinária!

"Quero falar de uma coisa
Adivinha onde ela anda
Deve estar dentro do peito
Ou caminha pelo ar
Pode estar aqui do lado
Bem mais perto que pensamos
A folha da juventude
É o nome certo desse amor...
... Coração de estudante
Há que se cuidar da vida
Há que se cuidar do mundo
Tomar conta da amizade
Alegria e muito sonho
Espalhados no caminho
Verdes, planta e sentimento
Folhas, coração,
Juventude e fé..."
( Coração de Estudante - Milton Nascimento)

Bons acontecimentos!



Oláaaaaaaaaa pessoal!
Eis que hoje é um dia muito esperado. Depois volto aqui com a foto e para contar como foi? Desejo à todos um excelente fim de semana.

Ah e não esqueçam, esse fds tem "Noite do FlashBack" na Casa da Vila da Feira, rua Haddock Lobo 195, Tijuca.
Super vale a pena!

Até mais tarde!


Ama sempre,fazendo pelos outros o melhor que possas realizar. Age auxiliando. Serve sem apego. E assim vencerás."
(Chico Xavier)

domingo, 4 de julho de 2010

Estamos vendo alguma coisa acontecer!



Olá Amigos!
Aqui estou eu de volta, depois de muitooooo tempo cheia de expectativas e novidades que vamos conversando ao longo dos dias.
Estou muito perto de dar início a um sonho antigo que ficou esquecido láaááááá naquela gaveta, sabem? Mas quando tudo estiver certinho eu volto aqui e conto!
Um grande beijo e ótima semana para todos!

E Lembrem-se: Deus trabalha em prol daqueles que acreditam nos seus sonhos!